5 de março de 2017

Despedidas

Eu sempre contei despedidas.
Sempre que me despeço, eu conto na cabeça quantas vezes mais vou precisar dizer adeus até o dia em que eu não precise mais me despedir.
É duro dizer isso, mas descobri que não acaba. A gente nunca para de dizer adeus. Adeus a sua família, antes de ir para a faculdade, adeus aos amigos, antes de voltar pra sua cidade, adeus ao namorado ou à namorada, que mora longe.
Esses são os mais fáceis, porque a gente fala, a gente abraça, toca, beija, chora. Difíceis são aquelas despedidas que a gente dá e nem sabe. Um amigo que se tornou distante e agora não passa de um conhecido, o namoro que termina sem que a gente perceba que acabou, e quando nos damos conta, perdemos alguém importante e nem tivemos a chance de dar um abraço, um beijo, um até logo.
Pior ainda são as despedidas forçadas, para alguém que nos deixou e não vai voltar. Sem data nem certeza de se ver de novo, ficamos somente com as lembranças.
Eu sempre contei despedidas. Soluçadas em meio a lágrimas de uma janela de ônibus; correndo em direção a uma nova viagem, a um novo lugar; entaladas na garganta em uma sala cheia de saudade e tristeza. Contei despedidas demais para ter a ingenuidade de achar que um dia elas acabam.
Mas sabe, elas fazem parte da vida. Nos fortalece, nos torna pessoas melhores. A saudade e a vontade de ser ver são enormes, e isso torna o reencontro ainda melhor. Damos mais valor quando sentimos falta.
Talvez por isso eu ainda conte despedidas. Quantas faltam pra eu não sentir mais tanto aperto no peito. Talvez seja em vão, porque ele nunca diminui. Continuo contando, porque, como diria Renato Russo, quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

7 de janeiro de 2017

Eu perdi

Eu perdi, sei que perdi. Coisas demais pra serem enumeradas, importantes, essenciais, especiais. Dói, como dói.
Me disseram não se apega. Me disseram não espere nada. E no fundo achei que estava fazendo isso, não criando expectativa. Mas olha, minha cabeça deu jeito de esconder elas de mim.
Rejeição repuxa meu estômago outra vez. Um sentimento horrível de vazio e decepção. Comigo mesma, por não saber lidar com tudo isso e me deixar chegar aqui. Eu não gosto disso. Você me pergunta se eu não me importo. Eu respondo que não, e sinceramente quero acreditar nesse não. Eu queria não ligar, não me importar. Mas eu ligo.
Eu tento rir. Tento participar, tento entrar nessa vida de alguma forma. Mas não tem espaço pra mim aí. Espero a minha vez, e as vezes ela não chega, vou dormir sozinha e acordo magoada.
Você nunca vai saber disso. Eu vou me ferir e me curar inúmeras vezes até você ficar sabendo disso. Mas quando esse dia chegar. Você vai me perguntar se eu me importo e responderei, com todo o coração, "não mais".

1 de janeiro de 2017

Feliz ano novo

Faltam 5 minutos pra meia noite.
Juntam todos os primos, sorridentes, olhando pra cima na rua vazia. A noite traz certo alívio do calor que domina a cidade, mas o calor de nossos ânimos é suficiente pra fazer surgirem gotinhas de suor.
A cada ano um pouco mais longe de casa. Correndo pelo asfalto e procurando por todos os lados uma faísca colorida. O céu noturno já retumbava e piscava com rojões.
Correndo, os cabelos colados na nuca e a franja voando. Os pés descalços ou chinelos batendo no asfalto, enquanto o pequeno grupo passava entre casas e árvores procurando o melhor lugar pra ver o céu.
Dando risada e gritando, sempre sorrindo e olhando em frente. Tristeza pelo ano que fica? Um pouco. Mas sempre com aquele nervoso e aquela antecipação gostosa do desconhecido futuro.
Paramos em uma avenida, ainda faltam alguns minutos. Fazemos uma breve retrospectiva. Pulamos na grama, abraçamos uns aos outros e subimos em um banco pra passarmos juntos os últimos minutos.
Meia noite. A noite explode em cores pra vários lados. Nada como as grandes capitais, mas extraordinário a nosso modo. Mais uma vez gritamos e nos abraçamos, tiramos fotos e filmamos.
Carros passam e nos desejam feliz ano novo a plenos pulmões. Respondemos com alegria.
Voltamos correndo pra casa, ansiosos por abraçar aqueles com quem desejamos passar todos os outros minutos do ano que chega.
Repetimos esse ritual todos os anos, e nos dá aquela alegria que só um hábito que lhe traz a infância de volta dá.
Não tem glamour, não tem nada chique nem extravagante. Mas eu não trocaria isso por nada no mundo.

15 de dezembro de 2016

Luta

E sempre que parece melhor, que você acha que está superando, sua cabeça dá um jeito de te puxar de volta pra baixo.
Ela repete, ela grita dentro de você: “você não é boa o suficiente”, “você não tem nada de especial”, “você só incomoda”, “ninguém te quer por perto”, “você não faz diferença”.
Por mais que você tente ignorar, uma hora você acredita nas vozes, que não se calam nem por um segundo.
Um dia você está bem, feliz, sorrindo. No outro você se enrola na sua cama, fecha os olhos e chora, torcendo pra tudo isso acabar logo.
É uma luta constante com você mesmo, e sabe, tem horas que a gente perde. A gente cansa tanto que desiste de tentar vencer.
Você deixa as vozes ditarem quem você e as suas escolhas. Você para de tentar levantar da cama, não faz sentido sair de lá.
A rejeição repuxa você toda por dentro. A vontade de gritar por ajuda é enorme, mas o medo é ainda maior. A vergonha de aparentar fraqueza, de pedir qualquer atenção ou carinho é muito maior que sua coragem de contar pra alguém que você precisa de ajuda.
Todo mundo fala que você precisa ser forte sozinho. Que você não pode depender de ninguém pra se levantar. Mas se suas duas pernas estão quebradas, você não vai se levantar sozinho.
Mas no fim, as vozes te contam que você só quer chamar a atenção. Isso não é nada, você devia ser forte, independente.
E você continua em silêncio. 

9 de dezembro de 2016

Eis o pior de mim

Às vezes eu me pego duvidando de mim.
Da minha aparência, do meu caráter, da minha carência.
Tem dias que preciso repetir a mim mesma que sentir saudade não é fraqueza. Estar triste sem motivo não é frescura. Sentir não é errado.
Às vezes eu gostaria que as pessoas me lembrassem que sim, eu sou uma pessoa que pode ser amada simplesmente por ser eu, e não pelo que faço pelos outros.
De vez em quando preciso me forçar a lembrar que existem pessoas que gostam de mim, amam, até. Preciso enfiar na cabeça que tem gente que não me atura, que gosta de verdade da minha companhia.
Tem vezes que eu daria tudo por um pouco mais de carinho, mas me sinto uma idiota implorando atenção. Onde já se viu, querer migalhas de amor alheio?

1 de dezembro de 2016

Costura

Costura

Eu não percebi, mas fui me costurando remendo por remendo
Por cima do pano que já era meu
Esses retalhos, porém, não eram meus
Tinham uma textura diferente, uma cor estranha
Alguns incomodavam, machucavam até
Mas eu os deixei lá, os outros gostavam

Chegou um hora em que havia remendos demais
Meu pano, fino e fraco de velho e mal cuidado
Rasgou por baixo do peso
E eu perdi, destruída, tudo que costurei
Tudo que achei que eu fosse
Eu vi que não era
Me vi nua no espelho, de corpo e alma
Uma alma frágil e um tanto negligenciada

Me costuro de volta todos os dias
Dessa vez com cuidado, pra não me ferir
Um tecido velho, frágil, menor do que eu
Preciso de retalhos, mas os escolho com cuidado
Então se escolhi você pra fazer parte da minha costura
É porque dentre todas os tecidos por aí
Você foi o que mais combinou com o meu

9 de outubro de 2016

Só um Desabafo

Sinto que preciso colocar isso em algum lugar.
Muita coisa aconteceu na minha vida desde a última vez que estive aqui, e esse não é o post para falar sobre isso.
Preciso desabafar, preciso colocar isso em algum lugar onde eu possa achar depois, e tentar entender o que aconteceu comigo nessa fase tão confusa, horrível e maravilhosa da minha vida.

Levanta devagar e põe os pés no chão, sente o frio. Respira fundo e sente o ar entrar e sair.
Não pensa, não pensa, não pensa, não pensa.
Fraca
Vai até o banheiro, olha o espelho. Cabelo espalhado, olho fundo.
Não pensa não pensa não pensa não
Derrota
Lava o rosto e volta pra cama, tenta dormir de novo.
Nãopensa
Não faz sentido. Não tem motivo. Tá tudo bem, não tem nada errado, não devia ter nada errado. O problema é você.
Naopensanaopensanaopensanaopensa
Não adianta
Egoísta, arrogante, manipuladora, insensível, só quer chamar a atenção.
Paraparaparaparaparapara
As pessoas tem razão, é errado, falso, mentira. Não tem direito. Não se permita.
Não seja.

6 de agosto de 2015

A Rosa de Hiroshima completa 70 anos

Pensem nas crianças mudas telepáticas
Pensem nas meninas cegas inexatas
Pensem nas mulheres rotas alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa radioativa, estúpida, inválida
A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica
Sem cor em perfume, sem rosa, sem nada
Vinícius de Moraes

Há 70 anos o ser humano viu com seus próprios olhos a capacidade destrutiva que tem em mãos.
Há 70 anos descobrimos que nossos irmãos são capazes de usar esse poder pelos seus interesses.
Há 70 anos passamos a temer o fim do mundo. Com motivo.
06/08/1945: Hiroshima
09/08/1945: Nagasaki

Até o fim de 1945, estima-se que houve mais de 200 mil mortes causadas pela bomba de Hiroshima. Em Nagasaki estudos apontam entre 39 mil e 80 mil.
Hoje existem cerca de 450 mil pessoas afetadas pela explosão. Podem apresentar ou vir a apresentar todo tipo de problema por conta da exposição à radiação. Isso fora o preconceito que muitas vezes sofrem e as marcas físicas e psicológicas de ter feito parte de um dos momentos, a meu ver, mais tenebrosos enfrentados pela humanidade.

Ariel Z.

23 de julho de 2015

O Curiango

Quando eu era criança, lá com meus 5, 7 anos, eu costumava visitar muito as chácaras da minha avó.
Para toda criança de sete anos, um terreno enorme com árvores altas e frondosas, flores de todas as cores e tamanhos, arbustos e alguns insetos estranhos eram algo muito mágico. E as chácaras eram exatamente assim.
Depois de passada a época em que eu procurava o Tarzan nas matas atrás da casa ou buscava um pequeno conjunto de estátuas de anões por entre raízes de pinheiros, eu precisava de uma nova mágica pra procurar. E não demorou: minha vó me contava de um pássaro, um que eu nunca via, que ela chamava de curiango.
"Ah minha neta, fica quieta que senão o curiango não vem"
"Ariel, não mexe aí que o curiango assusta!"
"Ariel, não traz gato que ele come o curiango."
E curiango vai, curiango vem, nunca vi o tal pássaro. Não me lembro se já o ouvi, provavelmente já, mas os ouvidos de uma criança encantada não são fontes muito confiáveis. Mas que minha vó criou uma aura mágica em torno desse pequeno ser, ah criou.
Alguns anos passados, eu já conseguia entender que o curiango era apenas uma ave tentando se abrigar nas árvores calmas do quintal da minha avó. Voltei, esperançosa para ver o curiango. Quando cheguei, porém, curiango por ali não tinha mais. Fugiu, morreu, gato pegou, foi pra outro canto. As regiões em torno da casa da minha avó estavam tomadas de pessoas desconhecidas, que queimavam folhas e cortavam plantas. Assim, os curiangos foram embora, e levaram junto sua magia.
Algum tempo depois, foi-se também o constante coachar dos sapos nos rios e nos lagos próximos, que eram a melhor canção de ninar que já ouvi. Foi então que percebi que, talvez, aquele lugar jamais voltasse a ser como era em meus primeiros anos.
Voltei pouco à casa da minha vó, e embora ela ainda pareça mágica a meus olhos, tenho medo de ter perdido mais alguma coisa. O som dos ventos nos pinheiros altos, o farfalhar leve das folhas sendo levadas, a batida de asas dos pássaros que ali continuaram, a revoada das garças ao pôr do sol, o cheiro de plantas e pinhas, o cheiro suave da manhã molhada de orvalho noturno.
E apesar disso, continuo com a imagem do curiango na cabeça. E também do Tarzan, e dos anões, e da mágica floresta de pinheiros que um dia houve atrás da casa, e ainda ouço o canto dos sapos na lagoa. E vou passar a vida me lembrando disso tudo, e não me esquecerei da infância mágica que passei naquele lugar.

18 de julho de 2015

Tic Tac

Olá. Olá. Olá. Olá. Olá para você também. E você. Você…. Você não. Você também não. Ele também não(to falando de você). Em geral, ola. Faz tempo que não posto neste blog…. ou leio este blog…. ou que vejo a Big Boss do blog. Mas o que importa é que estou aqui para um pequeno post. Espero que apreciem.

Atualmente estou na Unesp de Bauru. Passei na lista de espera(triste T_T :( ), mas passei. Na época em que soube já estava fazendo cursinho. Eu poderia ter parado, mas fiquei até abril(Até que foi divertido todos me perguntando: "Por que você ainda esta aqui?"). Depois fui viajar com meus país.

Local: Alemanha( felicidade (*)U(*) ).

Uma das coisas que vi lá me marcou e eu trouxe para casa. Ela e o tema deste post.

Gosta de tic tac? As pílulas brancas de sabor que do nada somem do potinho? Essas mesmo!

Lá na Alemanha achei um tic tac…. sabor pipoca.

…...

Com sabor de pipoca.

…..

De verdade.

Olha:


Quer um?


Toma.


Pode pegar.


Não quer? Ok.



E 1:00 da manha e eu postando isso aqui. Bem, boa noite e tenham bons pesadelos.















….

E cuidado com os nazistas.